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Papa ao Encontro de Rímini: após a pandemia responsabilidade e não egoísmo

Em mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, o Papa Francisco abençoa os participantes do tradicional encontro que tem início na sexta-feira, 20 de agosto, na modalidade presencial: “É preciso encontrar recursos e meios para colocar em movimento a sociedade, mas antes de tudo há a necessidade de quem tenha a coragem de dizer ‘eu’ comunicando com a vida que você se pode começar o dia com esperança”.

“A Sua Excelência Reverendíssima, Dom Francesco Lambiasi, bispo de Rímini

O Santo Padre regozija-se que Encontro para a Amizade entre os Povos volte a ser realizado “em presença” e dirige ao senhor, aos organizadores e a todos os participantes a Sua saudação com os votos de um fecundo desenvolvimento.

O título escolhido – “A coragem de dizer eu” -, extraído do Diário do filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, ganha relevância no momento em que se trata de recomeçar com o passo certo, para não desperdiçar a oportunidade proporcionada pela crise pandêmica. “Reiniciar” é a palavra de ordem. Mas isso não acontece automaticamente, porque em cada iniciativa humana está envolvida a liberdade. Recordava Bento XVI: |A liberdade pressupõe que cada homem nas decisões fundamentais […] seja um novo começo. […] A liberdade deve ser conquistada sempre de novo para o bem”(Enc. Spe Salvi, 24). Nesse sentido, a coragem de arriscar é antes de tudo um ato de liberdade.

Durante o primeiro lockdown, o Papa Francisco chamou todos ao serviço dessa liberdade: “Pior do que esta crise, há somente o drama de desperdiçá-la” (Homilia de Pentecostes, 31 de maio de 2020).

Ao mesmo tempo que impôs um distanciamento físico, a pandemia recolocou no centro a pessoa, o eu de cada um, provocando em muitos casos um despertar das perguntas fundamentais sobre o sentido da existência e sobre a utilidade de viver, que por longo tempo estavam latentes, ou mesmo censuradas. Suscitou também o senso de uma responsabilidade pessoal. Muitos testemunharam isso em diferentes situações. Diante da doença e da dor, diante do surgimento de uma necessidade, muitas pessoas não se esquivaram e disseram: “Eis-me aqui”.

A sociedade tem uma necessidade vital de pessoas que sejam presenças responsáveis. Sem pessoa não há sociedade, mas um agregado casual de seres que não sabem porque estão juntos. Como único agregador permaneceria o egoísmo do cálculo e do interesse particular que torna indiferentes a tudo e a todos. Ademais, as idolatrias do poder e do dinheiro preferem lidar com indivíduos antes do que com pessoas, ou seja, com um “eu” concentrado nas próprias necessidades e nos próprios direitos subjetivos antes que um “eu” aberto aos outros, voltado a formar o “nós” da fraternidade e da amizade social.

O Santo Padre não se cansa de alertar aqueles que têm responsabilidades ​​públicas contra a tentação de usar a pessoa e de descartá-la quando ela não é mais necessária, em vez de servi-la. Depois do que vivemos neste tempo, talvez seja mais evidente para todos que precisamente a pessoa é o ponto a partir do qual tudo pode recomeçar. Certamente existe a necessidade de encontrar recursos e meios para colocar em movimento a sociedade, mas antes de tudo há a necessidade de alguém que tenha a coragem de dizer “eu” com responsabilidade e não com egoísmo, comunicando com a própria vida para que é possível começar o dia com esperança confiável.

Mas a coragem nem sempre é um dom espontâneo e ninguém pode dá-la a si mesmo (como dizia padre Abbondio), especialmente em uma época como a nossa, em que o medo – revelador de uma profunda insegurança existencial – desempenha um papel tão decisivo a ponto de bloquear tantas energias e impulsos em direção ao futuro, percebido cada vez mais como incerto, sobretudo pelos jovens.

Nesse sentido, o Servo de Deus Luigi Giussani advertira para um duplo perigo: “O primeiro perigo […] é a dúvida. Kierkegaard observa: “Aristóteles diz que a filosofia começa com a admiração, e não como em nossos tempos com a dúvida”. A dúvida sistemática é, por assim dizer, o símbolo de nosso tempo. […] A segunda objeção à decisão do eu é a mesquinhez. […] Dúvida e comodismo, esses são os nossos dois inimigos, os inimigos do eu” (In cammino 1992˗1998, Milano 2014, 48˗49). .

De onde pode vir, então, a coragem de dizer que eu? Vem graças àquele fenômeno chamado encontro: “Somente no fenômeno do encontro se dá a possibilidade ao eu de decidir, de se tornar capaz de acolher, de reconhecer e de acolher. A coragem de dizer “eu” nasce diante da verdade, e a verdade é uma presença” (ibid., 49). Desde o dia em que se fez carne e veio habitar entre nós, Deus deu ao homem a oportunidade de sair do medo e de encontrar a energia do bem seguindo seu Filho, morro e ressuscitado. São iluminadoras as palavras de São Tomás de Aquino quando afirma que “a vida do homem consiste no afeto que principalmente o sustenta e na qual encontra a maior satisfação” (Summa Theologiae, II-II, q. 179, a. 1 co. ).

A relação filial com o Pai Eterno, que se faz presente nas pessoas alcançadas e transformadas por Cristo, dá consistência ao eu, libertando-o do medo e abrindo-o ao mundo com uma atitude positiva. Gera uma vontade de bem: “Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se”. (Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 9).

É esta experiência que infunde a coragem da esperança: “O encontro com Cristo, o deixar-se conquistar e guiar pelo seu amor alarga o horizonte da existência, dá-lhe uma esperança firme que não desilude. A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir uma grande chamada — a vocação ao amor — e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade.” (ID. Enc. Lumen fidei, 53).

Pensemos na figura de São Pedro: os Atos dos Apóstolos referem-se a estas suas palavras, depois de lhe ter sido severamente proibido de continuar a falar em nome de Jesus: “Se é justo diante de Deus obedecer a vocês em vez do que a Deus, julguem vocês; nós não podemos ficar calados sobre o que vimos e ouvimos” (4, 19-20). De onde tira a coragem “esse covarde que negou o Senhor?” O que aconteceu no coração deste homem? O dom do Espírito Santo ”(Francisco, Homilia na Missa na Casa S. Marta, 18 de abril de 2020).

A razão profunda da coragem do cristão é Cristo. O Senhor Ressuscitado é a nossa segurança, que nos faz experimentar uma paz profunda mesmo em meio às tempestades da vida. O Santo Padre faz votos que durante a semana do Encontro, os organizadores e convidados deem um testemunho vivo, fazendo sua a tarefa indicada no documento programático do seu pontificado: “Muitos buscam a Deus secretamente, movidos pela saudade de seu rosto, mesmo em países de antiga tradição cristã. […] Os cristãos têm o dever de anunciá-lo sem excluir ninguém, não como quem impõe uma obrigação nova, mas sim como quem partilha uma alegria, mostra um belo horizonte, oferece um banquete desejável”. (Exortação apostólica Evangelii Gaudium, 14).

A alegria do Evangelho infunde a audácia de percorrer novos caminhos: “É preciso ter a coragem de encontrar os novos sinais, os novos símbolos, uma nova carne, […] particularmente atraente para os outros” (ibid., 167). É a contribuição que o Santo Padre espera que o Encontro dê para o recomeço, na consciência de que “a segurança da fé nos coloca em caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos” (Enc. Lumen fidei, 34), nenhum excluído, porque o horizonte da fé em Cristo é o mundo inteiro.

Ao confiar ao senhor esta mensagem, Excelência, o Papa Francisco pede a lembrança na oração e o abençoa de coração o abençoa e abençoa os responsáveis, os voluntários e os participantes do Encontro de 2021.

Também eu expresso os meus melhores votos de sucesso ao evento e aproveito a ocasião para me confirmar com um sentido de distinto respeito.

Fonte:vaticannews

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