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Filósofo católico italiano fala de abusos do governo na covid-19

Stefano Fontana, diretor do Observatório Van Thuan de Doutrina Social / Cortesia do observatório Van Thuan

Em outubro, os estivadores do porto de Trieste, na Itália, fizeram greve e manifestações de protesto contra a obrigatoriedade do Green Pass para os trabalhadores.

O Green Pass é um documento provando que o titular foi vacinado, obteve um teste negativo há menos de 48 horas ou se recuperou recentemente de covid-19.

Os trabalhadores de Trieste não protestavam contra a vacina em si. Cerca de 60% deles estão vacinados. Eles são contra o princípio de que para trabalhar é preciso ser vacinado ou arcar com os custos de um teste a cada dois dias. Os trabalhadores argumentam que, em princípio, é injusto pagar para trabalhar.

Os protestos de Trieste não foram um incidente isolado na Itália. Roma e outras cidades viveram situações semelhantes. Manifestações em Roma e Trieste foram respondidas energicamente pela polícia.

Observatório Van Thuan de Doutrina Social criticou as intervenções da polícia. O observatório, com sede em Trieste, disse que a polícia interveio contra “manifestantes pacíficos que defendem o direito ao trabalho, a constituição, a democracia, o direito de manifestação e a liberdade contra o Green Pass discriminatório e inconstitucional, e as medidas liberticidas da atual estrutura de governo.”

O nome do observatório homenageia o cardeal vietnamita Francis Xavier Nguyen Van Thuan, que passou 13 anos presos pelo regime comunista de seu país e, depois, presidente do Pontifício Conselho “Justiça e Paz”.

O observatório foi fundado em 2003, um ano depois da morte do cardeal, pelo arcebispo de Trieste, Giampaolo Crepaldi, então secretário do Pontifício Conselho.

 

O observatório, que publica um relatório anual sobre a doutrina social da Igreja no mundo, é um dos poucos institutos católicos na Itália que abordou a questão das medidas anti-covid do ponto de vista espinhoso dos abusos do governo.

Na Itália, os bispos geralmente se limitam a incentivar os católicos a tomar a vacina. Muito poucas vezes eles trataram de questões mais amplas relacionadas à liberdade pessoal diante das medidas governamentais. O observatório Van Thuan é uma espécie de voz no deserto, com um ponto de vista baseado em referências acadêmicas e empíricas sólidas.

Stefano Fontana, diretor do observatório, disse à CNA, agência em inglês do grupo ACI, em entrevista por e-mail que vê as medidas na estrutura de “uma ditadura da saúde que muitos intelectuais, de Illich a Chesterton, de Huxley a Foucault, anteciparam.”

Referindo-se não apenas aos eventos em Trieste, mas também a outras partes da Itália, Fontana diz que os trabalhadores estão sendo “chantageados com a ameaça de perder seus empregos caso não concordem em ser vacinados”.

Para ele, isso negligencia “o fato de que ninguém é moralmente obrigado a ser vacinado enquanto a vacina for experimental e enquanto não houver uma situação de vida ou morte”.

O quadro, diz Fontana, é o de uma ditadura da saúde quando se constata que “todo o sistema de convencimento público e privado está coordenado com o único objetivo de induzir à vacinação; que o sistema apela à ciência para impor comportamentos para os quais não há respaldo científico consolidado; e que as ordens profissionais desqualificam médicos e profissionais de saúde que exigem liberdade de julgamento, uma vez que aqueles que fazem perguntas são condenados como subversivos”.

Falando dos acontecimentos de Trieste, Fontana argumentou que a reação policial, em um quadro geral opressor, “mostrou que pessoas comuns, pessoas simples, trabalhadores mantiveram a luz da razão diante de medidas obviamente ilógicas e forçadas”.

E prosseguiu: “Este é o aspecto universal: existe um sistema que se eriça como um ouriço quando quer, mas existem setores importantes que felizmente ainda estão isentos e dão esperança”.

Para Fontana, “a gestão da pandemia é política e não técnica”.

“A prova é que os governos (ou seja, a política) usam a ciência e os ‘especialistas’ de acordo com seus interesses, condenando publicamente aqueles que ‘não acreditam na ciência’. Mas eles são os primeiros a usar apenas uma determinada ciência e não a Ciência”, ele disse. “Se por ‘tecnocracia’ entendemos o governo dos técnicos, não é esse o caso. Se por tecnocracia queremos dizer a política que explora ciência e tecnologia, então, sim, é este o caso.”

Fontana também sugeriu que em meio à pandemia “a política está matando a política”.

“Prevalecem ideias de novos centralismos, de novos processos de decisão, de um estado de emergência permanente, de controle de cima sobre os movimentos e ideias populares, de novos ‘homens providenciais’, de congelamento de parlamentos e oposição política, de novos ostracismos e novas censuras de ideias que não se conformam com as do aparato” de poder, disse.

“A política está bloqueada há dois anos na Itália”, disse Fontana. “A política torna-se opressora e deveria ser libertadora”, disse Fontana, “favorecendo o uso da razão, movendo as pessoas e os corpos sociais para o bem comum, que é um conceito orgânico. Muitos assuntos foram sacrificados na luta contra a pandemia, e outros vão seguir o mesmo rumo no futuro.”

O observatório Van Thuan há muito tempo lamenta o que vê como uma tendência totalitária ao redor do mundo. O último relatório sobre doutrina social da organização examina o modelo chinês, um modelo capital-socialista de controle social que atrai profundamente o Ocidente.

“Vamos dar um exemplo prático”, disse Fontana. “O modelo chinês implementou a política do filho único, causando uma queda nos nascimentos (embora agora faça o oposto), mas as democracias ocidentais adotaram a mesma abordagem por meio do aborto estatal. Portanto, existem ligações mais significativas entre o modelo chinês e as democracias ocidentais do que pensamos.”

Na Itália, fala-se pouco em abuso do governo. Fontana sugeriu que a razão é que “o sistema italiano se enrolou como um porco-espinho”, mostrando “conexões, silêncio, colaborações muito próximas, mesmo que se manifestem ‘no estilo italiano’, ou seja, com uma atitude aparentemente bem-humorada.”

Embora a Igreja italiana tenha assumido uma posição clara sobre a necessidade de vacinar e não tenha abordado a questão do abuso, várias vozes na Itália levantaram a questão. Martina Pastorelli é jornalista e fundadora da Catholic Voices Italia, uma iniciativa internacional de comunicação para pôr na esfera pública os pontos de vista católicos sobre as questões. Desde o início do debate, Pastorelli recolhe e apresenta essas vozes.

O filósofo Carlo Lottieri disse a ela: “agora estamos no Estado soberano que se coloca como Deus na terra. É o totalitarismo moderno baseado no controle operado pelos próprios controlados (esse é o propósito do Green Pass), no moralismo acusatório e no medo usado como meio de domesticar”.

Há, porém uma Igreja que fala. Em uma homilia em 9 de dezembro, o bispo de Pavia, Corrado Sanguineti, enfatizou que concentrar toda a comunicação da mídia na “fé na ciência” simplifica a realidade.

Esse é um perigo também para a Igreja, sugeriu o bispo, falando na solenidade de São Siro, padroeiro de sua cidade do norte da Itália.

Afirmou: “Uma Igreja que se limita a repetir palavras de sabedoria, a aconselhar sobre o bom comportamento social, talvez adaptando-se, em certos campos, a uma linguagem genérica e ‘inclusiva’, ou simplesmente a ecoar recomendações do Estado e da OMS, talvez seja ouvida. Ao menos aparentemente vai entrar no círculo do politicamente correto. Mas, no final, será confundida com outras agências de pensamento e costumes e perderá sua força de atração e sua capacidade de ser uma minoria criativa.”

Fonte:ACI.digital

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