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Papa: Santa Sé deve aderir à Emenda de Kigali para conter aquecimento do planeta

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O Acordo, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2019, chegou a ser descrito como um grande triunfo para a Terra para se reduzir a produção e o consumo dos gases usados em refrigeradores, condicionadores de ar e aerossóis. O anúncio do Pontífice veio nesta quinta-feira (7) através de mensagem aos participantes da 31ª Reunião das Partes do Protocolo de Montreal – do qual faz parte a complexa Emenda de Kigali.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

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O Papa Francisco enviou mensagem nesta quinta-feira (7) aos participantes da 31ª Reunião das Partes do Protocolo de Montreal sobre as Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (MOP 31). O texto foi lido pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, na sede da FAO, em Roma, onde acontece o encontro até esta quinta-feira (8).

Card. Parolin lê a mensagem do Papa na MOP 31
Card. Parolin lê a mensagem do Papa na MOP 31

Nas considerações iniciais, ao saudar “a inteira família das nações” que aderiram ao Protocolo de Montreal e que participam do encontro na Itália, o Papa procura explicar o acordo pela proteção da camada de ozônio que, junto às emendas e à Convenção de Viena, “representa um modelo de cooperação internacional não só no âmbito da proteção ambiental, mas também naquele da promoção do desenvolvimento humano integral”.

Lá se vão 35 anos “de resultados positivos”, comprovados cientificamente, desde a primeira convenção internacional, aquela de Viena em 1985, que hoje conta com 197 países signatários. E é desse profícuo período de atuação das nações para redução do ozônio que o Papa propõe três lições para proteger a criação, através do trabalho de cooperação entre três setores diferentes: “a comunidade científica, o mundo político, os atores econômicos e industriais, além da sociedade civil”.

1ª lição: desafio cultural pelo bem comum

Francisco descreve a primeira lição ligada ao desafio “cultural” vivido atualmente que pode conduzir a humanidade do início do século 21 para o “pró ou contra o bem comum”. Isso porque os acordos internacionais pelo ozônio demonstram que “a liberdade humana” é capaz de orientar as ações usando a tecnologia a serviço do progresso social e integral, assumindo “com generosidade as próprias graves responsabilidades”.

“Um diálogo honesto e fecundo realmente capaz de escutar as diversas necessidades e livre de interesses particulares, junto a um espírito de solidariedade e de criatividade, são essenciais para a construção do presente e do futuro do nosso planeta.”

2ª lição: além da tecnologia, a tomada de posição

Para explicar a segunda lição, Francisco afirma, porém, que o desafio cultural pelo bem comum não pode ser enfrentado somente se pensando na tecnologia, justamente por ela não ser capaz de relacionar as coisas. O Papa então cita a necessidade de se adotar, em 2016, uma nova emenda ao Protocolo de Montreal, a Emenda de Kigali que prevê a proibição de substâncias que “não contribuem a destruir a camada de ozônio, mas que incidem no aquecimento da atmosfera”.

O Pontífice exorta para que a Emenda de Kigali, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2019 e chegou a ser descrita como um grande triunfo para a Terra para se reduzir a produção e o consumo dos gases usados em refrigeradores, condicionadores de ar e aerossóis, obtenha logo “a aprovação universal pela inteira família das nações”, como aconteceu com a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal. E o Papa faz um anúncio:

“ Tenho o prazer de anunciar a intenção da Santa Sé de aderir à Emenda de Kigali. Com tal gesto, a Santa Sé deseja continuar a dar o seu apoio moral a todos os Estados empenhados a cuidar da nossa Casa Comum. ”

3ª lição: promover a consciência do “tudo está conectado”

A última lição apresentada pelo Pontífice é sobre a importância de que esse cuidado com o meio ambiente seja ancorado pela consciência de que “tudo está conectado”, das nossas decisões ao impacto gerado por elas. É o caso da Emenda de Kigali, já que “representa uma espécie de ponte entre o problema do ozônio e do fenômeno do aquecimento global”. Apesar dos desafios que vivemos hoje neste “momento histórico”, afirma o Papa, a cultura precisa ser orientada ao bem comum.

“ Isso requer a adoção de uma visão a longo prazo sobre como promover, na maneira mais eficaz, o desenvolvimento integral para todos os membros da família humana, sejam esses próximos ou distantes no espaço e no tempo. Essa visão deve ser promovida em centros de educação e cultura onde é criada a consciência, onde os indivíduos são formados à responsabilidade política, científica e econômica e, em geral, onde se tomam decisões responsáveis. ”

O Papa finaliza a mensagem agregando as três lições para fortalecer as atitudes direcionadas ao bem comum e ao desenvolvimento humano sustentável e integral, para não causar danos ao futuro da humanidade: promover o verdadeiro “diálogo pelo bem da responsabilidade compartilhada para a nossa casa comum”, fazer com que “as soluções tecnológicas” ganhem uma visão maior tomando em consideração as relações existentes e, finalmente, “estruturar as nossas decisões sobre a base do conceito central daquela que podemos definir ‘ecologia integral’, fundada na consciência que ‘tudo está conectado’”.